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Blog de falcoforado
 


ESQUERDA E DIREITA E A SUA CONVERGÊNCIA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO 

Fernando Alcoforado*

 

O Brasil, como organização econômica, social e política, está em desintegração. Os sinais de desintegração são evidentes em todas as partes do País. É sabido que o nível de bem estar desfrutado pela população de um país determina o índice de governabilidade existente em um dado momento. Em outras palavras, quanto maior é o estado de bem estar social maior é a estabilidade política de um país. Por isso, para poder governar, todo governo deve buscar a melhoria do bem estar material da população. E, para melhorá-lo, o governo precisa promover o desenvolvimento econômico para gerar emprego e a distribuição da renda. A estagnação econômica atual que tende a se agravar no Brasil, além de elevar o desemprego e afetar negativamente a distribuição da renda, pode reduzir as receitas do Estado e exigir cortes no orçamento do governo brasileiro como já está ocorrendo. Com os cortes no orçamento, o governo brasileiro fica impossibilitado de realizar investimentos em benefício da população para elevar o seu nível de bem estar social. 

 

A incapacidade do governo brasileiro e das instituições políticas em geral de oferecer respostas eficazes para superação da crise econômica recessiva em que se debate a nação brasileira e debelar a corrupção desenfreada em todos os poderes da República na atualidade tende a contribuir para o aumento da violência política no Brasil. Sem a solução desses problemas, o País poderá ficar convulsionado como aconteceu na década de 1960 do século XX quando setores da extrema-direita arquitetaram o golpe de estado que derrubou o presidente João Goulart. O caos poderá se instalar novamente no Brasil com o incremento das manifestações da população nas ruas e a presença das milícias de direita e de esquerda para combater seus opositores. 

 

Da mesma forma que as SA (milícias nazistas) e grupos paramilitares comunistas surgiram e se confrontaram com extrema violência na Alemanha durante a República de Weimar após a 1ª Guerra Mundial, o mesmo pode acontecer no Brasil antes, durante e após as eleições a depender de quem vença essas eleições. A violência que venha a ser praticada pelas milícias de direita e de esquerda poderia criar um ambiente de convulsão social que ofereceria a justificativa necessária para que seja patrocinado um novo golpe de estado no Brasil visando a manutenção da ordem política, econômica e social. Se esta violência atingir níveis críticos antes das eleições poderá contribuir até mesmo para não haver eleições.

 

O sociólogo alemão Ralf Dahrendorf, que acompanhou os terríveis anos nazistas de Berlim, escreveu em 1985 um livro chamado A Lei e a Ordem (Editora Instituto Liberal, 1997), quando afirmou que a anarquia, definida como ausência generalizada de respeito às normas sociais, costuma anteceder aos regimes totalitários. No estado de anarquia, as normas reguladoras do comportamento das pessoas perdem sua validade. As violações de normas simplesmente não são mais punidas. Neste contexto, todas as sanções parecem ter desaparecido. O “contrato social”, entendido aqui como normas aceitas e mantidas através de sanções impostas pelas autoridades competentes, é rasgado, restando o vácuo em seu lugar. Tudo passa a ser visto como permitido, já que nada mais parece ser punido. 

Não há como dissociar esta situação descrita por Dahrendorf do grave momento atual do Brasil onde a impunidade é crescente e os valores básicos da civilização estão completamente enfraquecidos. Políticos cometem crimes à luz do dia, nada acontece, e os próprios eleitores ainda votam neles novamente. Condenados de “colarinho branco”, por exemplo, vão à prisão, mas logo depois são libertados. A crença de que as leis não funcionam mais é generalizada no Brasil. O Brasil já está vivenciando, infelizmente, a anarquia descrita por Ralf Dahrendorf. Algo precisa ser feito urgentemente, porque vivemos uma crise econômica e uma crise de valores morais com a falência das instituições necessárias para a manutenção da lei e da ordem que estão a exigir uma reforma do Estado e uma reforma política radical. A continuidade da situação vivida atualmente pelo Brasil no âmbito do Estado e da Sociedade Civil é insustentável abrindo caminho para um tempo de catástrofe no País. 

No cenário político nacional existem forças políticas de esquerda, forças políticas de direita e liberais que se digladiam entre si na luta pelo poder político. Entre as forças políticas de esquerda existem setores radicais que lutam pela revolução socialista e há outros setores que participam de eleições para acumular forças fazendo aliança com liberais ou até mesmo forças de direita para galgar o poder democraticamente. O que unifica estas forças de esquerda é a luta contra as desigualdades sociais. Entre as forças políticas de direita há setores que são partidários da intervenção militar para combater a corrupção e impedir a ascensão da esquerda e a volta do PT e aliados ao poder e há outros setores que consideram importante manter e galgar o poder participando de eleições quando as condições lhes são favoráveis. O que unifica estas forças de direita é a luta pela manutenção do “status quo” político, econômico e social. Entre os liberais há setores que consideram importante manter e galgar o poder participando de eleições fazendo aliança inclusive com determinadas forças de direita e de esquerda e há outros que são partidários da intervenção militar para impedir que as forças de esquerda galguem o poder. O que unifica os liberais é a luta pela manutenção do “status quo” político, econômico e social ou, em última instância, por mudanças que não comprometam seus interesses fundamentais.

O futuro do confronto entre a esquerda e a direita vai depender do resultado das eleições de 2018. Se for eleito um candidato presidencial que não apresente nenhuma perspectiva de superação dos problemas políticos, econômicos e sociais do Brasil, seja ele ou ela liberal ou de direita, não terá condições de governar porque poderá haver o desencadeamento de violência pelas forças de esquerda e de reação das forças de direita e liberais em defesa do novo governo que pode levar o País ao estado de exceção para manter a ordem.  Se for eleito um candidato que apresente proposta de superação dos problemas políticos, econômicos e sociais do Brasil, seja ele ou ela de esquerda, não terá condições de governar porque haverá o desencadeamento de violência pelas forças de direita e pelos liberais e de reação das forças de esquerda em defesa do novo governo que pode levar o País ao estado de exceção para manter a ordem.  Está claro que as forças políticas de esquerda, sobretudo as radicais, consideram inaceitável a direita no poder, especialmente se Bolsonaro vencer as eleições presidenciais. O país poderia ser convulsionado, nessas circunstâncias. As forças políticas de direita e setores liberais consideram inaceitável a esquerda no poder, especialmente candidatos do PT, PSOL e PC do B. O país poderia ser convulsionado, nessas circunstâncias. 

O único cenário que evitaria o desencadeamento de violência entre a direita e a esquerda seria o surgimento de um candidato que tenha a capacidade de aglutinar a nação brasileira em torno de um projeto comum que deveria resultar de um amplo debate em uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva que o futuro presidente da República convocaria após sua eleição em 2018. A Assembleia Nacional Constituinte serviria para, não apenas deliberar sobre o futuro econômico, político e social do Brasil, mas, sobretudo para celebrar um pacto social e com isto fazer com que a paz social se sobreponha ao conflito social que resultaria se não for adotado este caminho. 

Para evitar que a violência política atinja níveis críticos no Brasil, urge a refundação da República que é, no momento, uma mera peça de ficção. República é uma forma de organização do Estado cujo termo vem do latim res publica que significa "coisa pública", "coisa do povo". Um governo republicano é aquele que põe ênfase no interesse comum, no interesse da comunidade, em oposição aos interesses particulares e aos negócios privados fato este que não ocorre no Brasil. A crise política, ética e moral, que abala atualmente o Brasil, resulta, fundamentalmente, da falência do modelo político aprovado na Constituinte de 1988. A falência do modelo político do Brasil está configurada no fato do presidencialismo em vigor desde 1989 ser gerador de crises políticas e institucionais como as que estão ocorrendo. Além disso, o sistema político do País está contaminado pela corrupção como comprovam os processos do “Mensalão” e da Operação Lava Jato. Para reconstruir as instituições políticas do Brasil e construir a paz social, é preciso que o povo brasileiro se mobilize para exigir a imediata convocação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva para celebrar um novo pacto social visando reordenar a vida política e econômica nacional em novas bases. 

*Fernando Alcoforado, 78, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017).  




Escrito por falcoforado às 21h42
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ESQUERDA E DIREITA E A SUA CONVERGÊNCIA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO

Fernando Alcoforado*

 

O Brasil, como organização econômica, social e política, está em desintegração. Os sinais de desintegração são evidentes em todas as partes do País. É sabido que o nível de bem estar desfrutado pela população de um país determina o índice de governabilidade existente em um dado momento. Em outras palavras, quanto maior é o estado de bem estar social maior é a estabilidade política de um país. Por isso, para poder governar, todo governo deve buscar a melhoria do bem estar material da população. E, para melhorá-lo, o governo precisa promover o desenvolvimento econômico para gerar emprego e a distribuição da renda. A estagnação econômica atual que tende a se agravar no Brasil, além de elevar o desemprego e afetar negativamente a distribuição da renda, pode reduzir as receitas do Estado e exigir cortes no orçamento do governo brasileiro como já está ocorrendo. Com os cortes no orçamento, o governo brasileiro fica impossibilitado de realizar investimentos em benefício da população para elevar o seu nível de bem estar social.

 

A incapacidade do governo brasileiro e das instituições políticas em geral de oferecer respostas eficazes para superação da crise econômica recessiva em que se debate a nação brasileira e debelar a corrupção desenfreada em todos os poderes da República na atualidade tende a contribuir para o aumento da violência política no Brasil. Sem a solução desses problemas, o País poderá ficar convulsionado como aconteceu na década de 1960 do século XX quando setores da extrema-direita arquitetaram o golpe de estado que derrubou o presidente João Goulart. O caos poderá se instalar novamente no Brasil com o incremento das manifestações da população nas ruas e a presença das milícias de direita e de esquerda para combater seus opositores.

 

Da mesma forma que as SA (milícias nazistas) e grupos paramilitares comunistas surgiram e se confrontaram com extrema violência na Alemanha durante a República de Weimar após a 1ª Guerra Mundial, o mesmo pode acontecer no Brasil antes, durante e após as eleições a depender de quem vença essas eleições. A violência que venha a ser praticada pelas milícias de direita e de esquerda poderia criar um ambiente de convulsão social que ofereceria a justificativa necessária para que seja patrocinado um novo golpe de estado no Brasil visando a manutenção da ordem política, econômica e social. Se esta violência atingir níveis críticos antes das eleições poderá contribuir até mesmo para não haver eleições.

 

O sociólogo alemão Ralf Dahrendorf, que acompanhou os terríveis anos nazistas de Berlim, escreveu em 1985 um livro chamado A Lei e a Ordem (Editora Instituto Liberal, 1997), quando afirmou que a anarquia, definida como ausência generalizada de respeito às normas sociais, costuma anteceder aos regimes totalitários. No estado de anarquia, as normas reguladoras do comportamento das pessoas perdem sua validade. As violações de normas simplesmente não são mais punidas. Neste contexto, todas as sanções parecem ter desaparecido. O “contrato social”, entendido aqui como normas aceitas e mantidas através de sanções impostas pelas autoridades competentes, é rasgado, restando o vácuo em seu lugar. Tudo passa a ser visto como permitido, já que nada mais parece ser punido.

Não há como dissociar esta situação descrita por Dahrendorf do grave momento atual do Brasil onde a impunidade é crescente e os valores básicos da civilização estão completamente enfraquecidos. Políticos cometem crimes à luz do dia, nada acontece, e os próprios eleitores ainda votam neles novamente. Condenados de “colarinho branco”, por exemplo, vão à prisão, mas logo depois são libertados. A crença de que as leis não funcionam mais é generalizada no Brasil. O Brasil já está vivenciando, infelizmente, a anarquia descrita por Ralf Dahrendorf. Algo precisa ser feito urgentemente, porque vivemos uma crise econômica e uma crise de valores morais com a falência das instituições necessárias para a manutenção da lei e da ordem que estão a exigir uma reforma do Estado e uma reforma política radical. A continuidade da situação vivida atualmente pelo Brasil no âmbito do Estado e da Sociedade Civil é insustentável abrindo caminho para um tempo de catástrofe no País.

No cenário político nacional existem forças políticas de esquerda, forças políticas de direita e liberais que se digladiam entre si na luta pelo poder político. Entre as forças políticas de esquerda existem setores radicais que lutam pela revolução socialista e há outros setores que participam de eleições para acumular forças fazendo aliança com liberais ou até mesmo forças de direita para galgar o poder democraticamente. O que unifica estas forças de esquerda é a luta contra as desigualdades sociais. Entre as forças políticas de direita há setores que são partidários da intervenção militar para combater a corrupção e impedir a ascensão da esquerda e a volta do PT e aliados ao poder e há outros setores que consideram importante manter e galgar o poder participando de eleições quando as condições lhes são favoráveis. O que unifica estas forças de direita é a luta pela manutenção do “status quo” político, econômico e social. Entre os liberais há setores que consideram importante manter e galgar o poder participando de eleições fazendo aliança inclusive com determinadas forças de direita e de esquerda e há outros que são partidários da intervenção militar para impedir que as forças de esquerda galguem o poder. O que unifica os liberais é a luta pela manutenção do “status quo” político, econômico e social ou, em última instância, por mudanças que não comprometam seus interesses fundamentais.

O futuro do confronto entre a esquerda e a direita vai depender do resultado das eleições de 2018. Se for eleito um candidato presidencial que não apresente nenhuma perspectiva de superação dos problemas políticos, econômicos e sociais do Brasil, seja ele ou ela liberal ou de direita, não terá condições de governar porque poderá haver o desencadeamento de violência pelas forças de esquerda e de reação das forças de direita e liberais em defesa do novo governo que pode levar o País ao estado de exceção para manter a ordem.  Se for eleito um candidato que apresente proposta de superação dos problemas políticos, econômicos e sociais do Brasil, seja ele ou ela de esquerda, não terá condições de governar porque haverá o desencadeamento de violência pelas forças de direita e pelos liberais e de reação das forças de esquerda em defesa do novo governo que pode levar o País ao estado de exceção para manter a ordem.  Está claro que as forças políticas de esquerda, sobretudo as radicais, consideram inaceitável a direita no poder, especialmente se Bolsonaro vencer as eleições presidenciais. O país poderia ser convulsionado, nessas circunstâncias. As forças políticas de direita e setores liberais consideram inaceitável a esquerda no poder, especialmente candidatos do PT, PSOL e PC do B. O país poderia ser convulsionado, nessas circunstâncias.

O único cenário que evitaria o desencadeamento de violência entre a direita e a esquerda seria o surgimento de um candidato que tenha a capacidade de aglutinar a nação brasileira em torno de um projeto comum que deveria resultar de um amplo debate em uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva que o futuro presidente da República convocaria após sua eleição em 2018. A Assembleia Nacional Constituinte serviria para, não apenas deliberar sobre o futuro econômico, político e social do Brasil, mas, sobretudo para celebrar um pacto social e com isto fazer com que a paz social se sobreponha ao conflito social que resultaria se não for adotado este caminho.

Para evitar que a violência política atinja níveis críticos no Brasil, urge a refundação da República que é, no momento, uma mera peça de ficção. República é uma forma de organização do Estado cujo termo vem do latim res publica que significa "coisa pública", "coisa do povo". Um governo republicano é aquele que põe ênfase no interesse comum, no interesse da comunidade, em oposição aos interesses particulares e aos negócios privados fato este que não ocorre no Brasil. A crise política, ética e moral, que abala atualmente o Brasil, resulta, fundamentalmente, da falência do modelo político aprovado na Constituinte de 1988. A falência do modelo político do Brasil está configurada no fato do presidencialismo em vigor desde 1989 ser gerador de crises políticas e institucionais como as que estão ocorrendo. Além disso, o sistema político do País está contaminado pela corrupção como comprovam os processos do “Mensalão” e da Operação Lava Jato. Para reconstruir as instituições políticas do Brasil e construir a paz social, é preciso que o povo brasileiro se mobilize para exigir a imediata convocação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva para celebrar um novo pacto social visando reordenar a vida política e econômica nacional em novas bases.

*Fernando Alcoforado, 78, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017). 



Escrito por falcoforado às 21h40
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O OVO DA SERPENTE FASCISTA EM ASCENSÃO NO BRASIL

Fernando Alcoforado*

Luiz Inácio Lula da Silva iniciou sua trajetória política como líder sindical na década de 1970 prestando serviço à Igreja Católica e à Ditadura Militar que desejavam que ele contribuísse para colocar um fim na influência dos comunistas e trabalhistas getulistas no movimento sindical. Com a vertiginosa ascensão de Lula no movimento sindical em São Paulo surgiu a ideia da criação do PT como partido de massa de esquerda diferente dos partidos de esquerda até então existentes que operavam na clandestinidade e que se constituíam como partidos de quadros que lutavam pela revolução socialista. Com a criação do PT foi adotada a estratégia política proposta pelo filósofo italiano Antonio Gramsci de conquista do poder político no Brasil começando com a ampliação de sua influência na sociedade brasileira para exercer sua hegemonia junto às organizações da Sociedade Civil. Esta estratégia foi bem sucedida porque o PT e seus aliados políticos ocuparam amplos espaços em organismos da Sociedade Civil que possibilitaram seu crescimento político eleitoral até a conquista do poder com a eleição de Lula à presidência da República. Ao ocupar a presidência da República de 2003 a 2014, o PT ampliou seus espaços de poder nos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário ampliando sua influência, também, na máquina do governo.

Para se manter no Poder Executivo, o governo Lula empossado em 2003 fez amplas concessões às classes dominantes, sobretudo ao capital financeiro, ao declarar em “A Carta aos Brasileiros” que manteria a política econômica neoliberal implantada no Brasil pelos governos Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Além disso, os governos do PT de Lula e Dilma Rousseff utilizaram órgãos da estrutura governamental e empresas estatais como a Petrobras, a Eletrobras, o BNDES, entre outras, para ampliar sua hegemonia no Poder Executivo, em conluio com grandes empresas sustentadas pela corrupção sistêmica sem precedentes na história do Brasil, comprovada pela Operação Lava Jato, que beneficiava O PT, as grandes empresas e políticos corruptos, entre outros. Para exercer seu poder no Poder Legislativo, já que não possuía maioria parlamentar, o PT tentou exercer sua hegemonia política comprando votos de parlamentares para aprovar projetos de interesse do governo Lula comprovado pelo processo do Mensalão, além de fazer alianças espúrias com políticos de direita integrantes da escória política brasileira como Sarney, Collor, Maluf, entre outros. A aliança com partidos e políticos de direita teve prosseguimento na eleição de Dilma Rousseff em 2014 com o PMDB e Michel Temer ocupando a vice-presidência da República.  Para exercer sua hegemonia no Poder Judiciário, procurou nomear membros do STF- Supremo Tribunal Federal, do STJ- Superior Tribunal de Justiça  e do Ministério Público de pessoas que se dobrassem aos interesses do PT.    

Além do descalabro político, ético e moral, os governos do PT de Lula e Dilma  Rousseff contribuíram, também, para a devastação da economia brasileira ao manter o modelo econômico neoliberal, antinacional e anti-social,  posto em prática desde 1990 pelos governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. A devastação na economia brasileira de 1990 a 2014 está configurada no crescimento econômico pífio, nos gargalos existentes na infraestrutura econômica e social, na elevada carga tributária, na desindustrialização da economia brasileira, na explosão da dívida pública interna e externa, na desnacionalização da economia brasileira e na maior recessão da história do Brasil de 2014 até o momento atual que promoveu quebradeira generalizada de empresas brasileiras e o desemprego em massa (13 milhões de desempregados). Em nosso livro “A invenção de um novo Brasil” publicado pela Editora CRV demonstramos como se processou a devastação econômica pelos governos neoliberais de 1990 até o presente momento. Neste processo, ficou evidenciada a  conivência dos governos Lula e Dilma Rousseff com os interesses do sistema financeiro que ganharam dinheiro como nunca no Brasil, ao fazer com que houvesse contínua elevação das taxas de juros Selic e o aumento exponencial da dívida pública. Por sua vez, o déficit público cresceu continuamente no Brasil porque os governos do PT, sobretudo o de Dilma Rousseff, aumentaram seus gastos de maneira irresponsável ao ponto de superar suas receitas impactando negativamente no progresso econômico do País, haja vista que reduziu a capacidade de investimento das empresas, bem como do próprio Estado. Sob o argumento de pretender beneficiar a população pobre do País, mas com o claro objetivo de manter o “povão” como eleitor cativo do PT, o governo Lula criou o programa neoliberal de transferência de renda Bolsa Família baseada em proposta formulada pelo economista austríaco neoliberal Friedrich Von Hayek.

O descalabro econômico, político, ético e moral dos governos do PT e de seus aliados  políticos à esquerda e à direita receberam a repulsa da grande maioria da população brasileira que se manifestaram nas grandes mobilizações realizadas no País de 2013 até o presente momento. A Operação Lava Jato que investiga os crimes de corrupção no Brasil está mostrando os corruptos entranhados na grande maioria dos partidos e em todas as esferas dos setores públicos e privados do Brasil. Entre os políticos comprovadamente corruptos encontra-se o ex-presidente Lula que responde a 8 processos de corrupção.  O caso de Lula tem relevância porque é o principal líder do PT que é endeusado cegamente por amplos segmentos da população. O endeusamento de Lula se manifesta com o “povão”, sobretudo aqueles que foram e continuam sendo beneficiados pelo programa Bolsa Família, por segmentos da classe média, sobretudo, funcionários públicos, especialmente aqueles que exercem cargos comissionados, e pelos militantes do PT e de partidos aliados. Durante os governos do PT houve um processo de “lavagem cerebral” que vendeu para a população pobre iletrada e para a classe média letrada que realizavam um governo em benefício dos pobres e que promovia o progresso do Brasil. Os dados e os fatos demonstram o contrário haja vista que os governos do PT fracassaram na gestão econômica do Brasil, além de procurarem se alocupletar do poder para auferirem benefícios eleitorais e viabilizarem o enriquecimento ilícito de muitos de seus integrantes e aliados. Apesar disso, os segmentos sociais acima citados apoiam Lula irrestritamente mesmo sendo ele o principal responsável por este descalabro político, econômico, ético e moral argumentando falsamente que sua prisão teria por objetivo evitar sua eleição à presidência da República em 2018. É perfeitamente admissível ao “povão” defender Lula porque se trata de pessoas sem discernimento político para avaliar o contexto político em que vivemos. O lamentável é nos defrontarmos com pessoas de nível superior, muitos deles professores e até reitores de universidade fazendo a defesa de um corrupto comprovado como é o caso de Lula. Quanto à posição em defesa de Lula por parte de militantes do PT e de partidos aliados não é surpreendente porque os mesmos obedecem cegamente às ordens emanadas do comando partidário.     

A prisão de Lula com a tentativa de desobediência civil promovida recentemente nas dependências do Sindicato dos Metalúrgicos e os atos de violência praticados por integrantes do PT, de partidos aliados e movimentos sociais a eles ligados que promoveram a interdição de rodovias, o pichamento do prédio onde a presidente do STF, Cármen Lúcia, possui apartamento em Belo Horizonte, agressões contra a imprensa e cidadãos e a tentativa de invasão da Polícia Federal em Curitiba quando da chegada de Lula, demonstram a disposição do PT e de seus aliados à esquerda de desestabilizarem politicamente o País até colocarem Lula em liberdade. O objetivo do PT e de seus aliados é de criar um clima de confronto para se beneficiarem nas eleições presidenciais de 2018 como se manifestou nas dependências do Sindicato do Metalúrgicos quando o PT pretendia fazer com que a Polícia Federal fosse lá para prender Lula com o uso da violência. A radicalização promovida pelo PT e seus aliados fará com que, em contrapartida, setores da extrema direita partam, também, para o confronto e as Forças Armadas sejam obrigadas a intervir para manter a ordem pública. Isto significa, dizer que, graças à irresponsabilidade política do PT e seus aliados em defender o corrupto Lula estão contribuindo para a ascensão do ovo da serpente fascista no Brasil. Ao agir desta forma, falta a necessária inteligência ao PT e seus aliados para perceberem que a correlação de forças é inteiramente desfavorável às suas pretensões. Insistir no confronto com a grande maioria da sociedade brasileira significa mergulhar o País na guerra civil cujas consequências são imprevisíveis. Além de terem se aliado com partidos e políticos de direita para governar, o PT e seus aliados estão agora contribuindo para a ascensão da extrema direita ao poder seja pela via eleitoral em 2018 seja através de um golpe de estado se a radicalização política atingir níveis incontroláveis.  

*Fernando Alcoforado, 78, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016) e A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017). 

 



Escrito por falcoforado às 21h58
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